Crônica I - O Andarilho.

  Frio. Noite. Praia. Andando sozinho e escutando a quebra das ondas, ele passeava por entre seus pensamentos. Seu casaco era bem quente, mas não iria fazer tanta diferença assim. Seu cérebro estava tão focado que não haveria tempo de sentir frio.

   Ele pensava sobre suas musicas, seus poemas e suas prosas. Valeram a pena?  Não sabia, mas ponderar não mata ninguém. O disperdício da criatividade e das idéias era seu maior medo, e seu maior ódio também. "Gastei minhas melhores palavras. Tolo,tolo!" pensava, enquanto, sentado naquele banco de pedra, olhava turvamente para o Mar.

   O Mar estava bem agitado, fazia barulho. Mas ele amava pensar sobre o som das águas. Afinal, água tudo limpa. E era exatamente isso que ele queria: limpar a mente. Não saber se quer seguir ou desistir é triste, eu o entendo. Ele olhava fixamente pra beira do Mar... em um surto de vontade, tirou os tênis e pisou na areia fria, e foi de encontro a água.

   O que ele sentia não fazia sentido pra quem era importante para ele, mas ja não mais importava. Ele estava no Mar. O Mar que o escutava no mais profundo silêncio. O melhor dos amigos. Sentindo as ondas em seus pés, começou a caminhar. Andando, e gradualmente desenhando um sorriso. Já não sorria a tempos. Era mais difícil do que aparentava. Não haviam motivos, e quando pensava que iria sorrir, não conseguia. Mas esse sorriso foi a melhor coisa que aconteceu a ele em tempos. Sentia-se completo

   Nada mais importava a ele. Aprendeu, finalmente, que tudo que precisava pra sorrir é paz, confiança e um pouco de água nos pés.

4 Comentários:

Lanna;

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Nikyh

Foda demais! Adorei o texto. Lindo!!! *____*
Tá melhorando os textos a cada dia que passa, viu? :)

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