Um Conto.

Era mais uma daquelas noites melancólicas... Kiefer não parava de observar a lua. Cheia, Brilhosa e resplandecente, assim como o amor que sentia por Linda, sua namorada que ficou na Alemanha esperando o retorno de Kiefer da Noruega.
Kiefer é Pesquisador de campo da Universidade de Munique. Foi convocado a uma viagem de ascenção em sua carreira para uma pesquisa envolvendo células-tronco na Noruega. Ficou feliz, óbviamente, ao receber a notícia, e festejou muito ao lado de Linda e amigos. Mas ao descobrir que teria que ir sozinho, pois a empresa que o contratou não estava disposta a arcar com as despesas, teve que ir e deixar a namorada (que seria sua noiva em quatro dias, no aniversário de três anos do primeiro beijo deles) na Alemanha.
Felizmente, em Oslo (capital norueguesa), fez algumas amizades. Dentre elas, uma antiga amiga de Linda que ainda mantinha contato com a mesma pela internet. Kiefer não gostava muito de computadores. Aprendeu um pouco em sua faculdade, ja que os equipamentos médicos de ultima geração clamam por esse tipo de conhecimento.

- Falou com Linda hoje? perguntou Kiefer
-Não... infelizmente não a vi on-line por esses dias. Respondeu Agnes
-Ah sim... Bem, obrigado mesmo assim.

A saudade corroia os dois corações. Era como um parasita se alimentando da felicidade de Linda e da concentração de Kiefer. Depois de seis meses longe, o desempenho de Kiefer começou a cair. Ja não mais o via com aqueles olhos verdes focados em sua profissão. E nem Linda, jovem vivaz, se via sorrindo pelas praças alemãs, como de costume. Isso ja preocupava os vizinhos da jovem.

-Tudo bem com você, Linda? parece tão amoada... logo você, que sempre estampava esses lindos dentes brancos em seu rosto!
-Pois não me sinto bem pra sorrir, Dona Inga... Meu namorado viajou pra muito longe de mim, e sinto saudades dele...
-Mas você não pode deixar essa saudade matar você! Sabe, meu falecido marido teve que ir pra Guerra do Vietnã... Eu sentia tantas saudades dele... Mas infelizmente ele lá ficou... Morreu em apoio aos Estados Unidos.
-Puxa vida, que história Triste, Dona Inga!
-Foi muito dificil pra mim viver sem meu marido por todos esses anos... Mas eu sinto suas orações até mim vindas de lá de cima, minha filha... e isso me conforta muito. Ao dormir, quando for rezar, lembre-se de fechar os olhos e tentar sentir as orações de Kiefer.
-Obrigado, Dona Inga... Muito obrigado.

Enquanto isso, em Oslo, Kiefer estava mais uma vez olhando pra lua. Era vendo aquela luz iluminando todo o pensamento dele em relação a ela. A perfeição era feita nos olhos dela, e os olhos dela o retribuiam com amor e afeto. Todo esse amor o fazia falta, e ele ja não mais aguentava de saudades. Foi então que decidiu arriscar:

-Reitor? Está aí?
-Olá, Kiefer! Que veio fazer aqui? Algum prblema no laboratório?
-Não... É que me falaram que o senhor tem um telefone pago pelo governo aqui...
-Sim, eu o uso para algumas tareffas urgentes... Por que a pergunta?
-Bem, acontece que eu tenho uma namorada... uma noiva, que está na Alemanha, minha terra natal. Sinto muitas saudades dela, e queria saber se poderia deixar eu telefonar pra ela... Juro que ficarei menos de dez minutos!!
-Tudo bem... mas não demore! E que isso não vire rotina!

As mãos de Kiefer Tremblavam. Era como se sua felicidade estivesse correndo por aqueles fios enrolados na mesa de mogno do Reitor. Apoiou-se na janela, e, observando a lua, mais uma vez iluminando outro romance, ouviu o prazer e a felicidade:

-Alô?
-Linda! Olá! Como você está, Amor?
-Kiefer? É realmente você? Pensei que não ouviria sua voz até o ano que vem! Que saudade!
-Pois é, eu consegui um telefone especial, mas não posso demorar muito. E então, me contas algo?
-Nada que já não saibas... Lembra de minha amiga Terry? Lembra do namorado dela? Ja saiu do coma e está em casa com ela! ... Deixe-me ver o que mais... Bem, minha mãe falou que recebeu uma carta assinada por você, mas que me mandaste no inicio de nosso namoro! Os correios da Almenha ja foram melhores...
-Nossa, parece que tens apenas noticias boas!
-Sim, é como se tudo se tornasse repentinamente bom ao seu lado... ou pelo menos, ao lado de sua voz.
-Não fale isso que ficarei triste, Linda... Bem, as pesquisas estão indo muito bem... descobrimos métodos novos de implantação das células no tratamento de cancer, mas ainda está em fase de teste... essa fase termina em quatro meses, depois será os testes em humanos, por dois meses, e, se der tudo certo, nossa premiação e meu retorno a Alemanha!
-Apenas seis meses? Acho que aguento... Mas não tarde mais que isso... Estou morrendo de saudades suas.
-Também estou. Na verdade, estou fascinado. Tudo, absolutamente tudo o que faço me lembra você. estou sempre pensando no nosso futuro, no nosso passado e, mais ainda, nas dificuldades que passamos juntos no nosso presente. Eu te amo de forma incondicional. De uma forma tão plena que eu simplesmente não consigo dizer por telefone. Quando estou no laboratório, lembro de você por causa do Branco dos trajes, sua cor favorita. Lembro-me de noassas brincadeiras e nossos beijos por entre a fria e áurea neve alemã. Quando estou ouvindo nossa musica, sinto a batida da bateria e a batida do meu coração em perfeita sincronia... e lembro-me de tudo o que passamos juntos. Sinto-me muito feliz ao teu lado, e agradeço todos os dias a Deus por ter ajudado a te encontrar. Eu te amo muito, Linda... Muito!
-Puxa vida, Kiefer, que palavras mais lindas! Sinto-me uma idiota por não poder fazer nada, com esse embasbacamento que me tomou agora! Tanta coisa que tenho pra te dizer, tantas coisas que gostaria de fazer com você. Sinto falta de nossos passeios no parque, das nossas sessões de cinema, das nossas noites em casa, assistindo filmes antigos e bebendo vinho. Tantas coisas... Tantas saudades...

E subitamente a ligação cai. "Já ultrapassou minha cota do mês, Kiefer... Me desculpe.", disse o Reitor. Kiefer pediu desculpas pela demora no telefone e foi para seu alojamento. Após o banho, foi para fora do prédio e deitou no campo. olhando pra cima e procurando, por entre as nuvens, a Lua. Linda, em Munique, fazia o mesmo do lado de fora de sua casa. Enquanto os dois, separados por milhas e milhas de distância, observavam a Lua, era como se o calor de um fosse passado ao outro... e, em um raro momento no dia de Linda e de Kiefer, a felicidade e o consolo eram sentidos mutuamente.

-Continua... ?-

3 Comentários:

­Nanda

Que triste :x continua continua !!!

Gabi Lima

Tb axei triste Nanda, mas tô curiosa pra saber o final. xD

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