Quando a Música acaba


   Um Jazz calmo. Talvez até um rock "a lá" The Doors. Nada melhor pra ajudar a relaxar. Jim Morisson parece que conhece cada parte de mim muito bem. Jim Morisson e Jhon Coltrane. Esses infelizes são os únicos que me acalmam. São meu amigos.


   Esses dias os dias tem sido regados a solidão e jogatinas. Eu, assim como um certo personagem de um certo livro, acho a solidão algo apreciável e maravilhoso. Não é "antes só do que mal acompanhado", é mais porque sozinho eu penso mais... Eu reflito sobre tudo. E, geralmente, quando estou sozinho no quarto pensando, eu estou ouvindo Jazz. Quando eu estou simplesmente deitado na cama, o som é Power Metal, mas o significado é outro... O Jazz tem um significado maior na minha vida, já que esteve presente em momentos onde tomei decisões importantes. Lembrando que eu estou incluindo The Doors na lista, mesmo sendo Rock.

   Por que essas musicas me acalmam? Não sei... Talvez seja por que não demonstre preocupações... Apenas esperam o Sol... Desejos de pecadores normais como todos os outros, que não sabem o que fazer quando a música acaba. Soldados desconhecidos, mas que moram na porta ao lado. Pessoas que desejam que os pássaros os levem em seu vôo... Sim... É por isso que eu me acalmo ouvindo Jazz. Ouvindo The Doors.

   O Blues que desenha a reflexão e a beleza da tristeza. O Jazz que traz consigo a solidão e as memórias passadas. O Rock que chacoalha seus ombros e te acorda. É disso que o mundo é feito. É em função disso que o mundo gira.



  "The Future's uncertains and the end is always near"
     Roadhouse Blues - The Doors

Teoria

   Eu percebi certo dia que se eu me concentro nas coisas eu consigo algumas respostas, ou então pelo menos desenvolvo algumas teorias. É algo interessante de se fazer quando se está esperando o sono chegar, por exemplo. Essas teorias muitas vezes não tem nenhuma relevância, nem pra mim nem pro resto da humanidade, mas essa em particular eu achei bem interessante, por isso eu estou colocando aqui.

   Se baseia na superioridade de humanos em relação aos outros animais, no quesito sentimento. Sentimentos como amor, confiança, desejo, essas coisas. Minha teoria não consiste no fato de nós termos esses sentimentos e os animais não, mas sim que esses sentimentos são baseados em coisas que até os animais tem. Infelizmente, a principal dessas coisas é a dor.

   Coisas boas são coisas que causam pouca ou nenhuma dor. Coisas ruins são coisas que causam bastante dor. Mas me diga: Se algo cura a dor que a própria coisa causou, como classificamos isso? Exemplo: Um homem é feliz com sua esposa. Sua esposa, por vezes, é um tanto fria, não se abre, não conversa e parece esconder algo, e o marido sente que a esposa não tem confiança nele. Mas também, por vezes, a esposa chega do trabalho com um sorriso esboçado, contando como foi, como seria bom se o marido estivesse lá, e isso o deixa melhor. Mas e se isso fosse periódico?

   A minha teoria diz que o lado ruim se sobressai. As tristezas e felicidades aparecem na mesma freqüência, mas as coisas ruins irritam mais. O lado bom da coisa, por mais que seja em peso igual, não consegue suportar. Logo, conviver com isso por um longo período de tempo é impossível. Mas por que? Simples: Você machuca o joelho. Alguém o cura. Você o machuca de novo. É curado de novo. Se continuar a machucar, será cada vez pior, mesmo que seja o mesmo tipo de machucado. Porque a área ficou sensível a isso, e nem o melhor remédio pararia essa dor.

   Animais não conseguem interpretar essas dores, por isso nós possuímos esses sentimentos e animais não.

Mugen

   Hoje eu descobri que fico um pouco triste quando não estou fazendo nada. Na verdade fico triste com muitas coisas que nunca tinha reparado. Fico triste no tédio e fico tão chateado quando tenho muitas coisas a fazer que as vezes bate tristeza. Fico triste quando coisas boas terminam de forma ruim.

   Eu estava assim, triste, então resolvi procurar um anime pra ver. Comecei a ver Soul Eater tem uns 4 dias e terminei agora. Fiquei triste pelo final horroroso. Mas fiquei mais triste porque acabou... Agora eu penso em outro anime ou série pra assistir, ou então em novas armas de novas formas pra desenhar... Acho que é por isso que sempre preferi séries e animes à filmes: eles demoram mais pra acabar.

   Senti essa tristeza também quando Samurai Champloo acabou... quando Death Note acabou... Coisas assim me deixam triste. Mas não é uma tristeza equivalente à morte de um parente, ou então a um animal de estimação que fugiu... É que quando essas coisas acabam, eu olho pra cima e penso "E agora?". Não sinto isso quando tenho aulas na faculdade ou quando estou com amigos, pois sempre estou fazendo alguma coisa. Só fico triste quando não há nada pra fazer.Por isso eu detesto tanto o tédio.

   Se pensar bem, é como um parente morto sim... Quando um parente morre, você fica triste por que sente falta dele. Mal comparando, é o que acontece com minhas séries e meus animes: quando eles acabam, sinto falta de fazer alguma coisa. Não gosto quando as coisas acabam.

   Mas tudo na vida acaba, não é? Isso que me deixa triste. pensar que a qualquer momento algo pode acabar e eu não poder fazer nada... é uma sensação ruim que eu sinto quando as coisas acabam... Quando o livro que eu leio acaba, quando o jogo que eu jogo acaba, quando a musica que escuto acaba, quando o café que eu tomo acaba, quando o nascer do sol que eu admiro acaba. Quando o anime que assisto acaba... Quando o amor entre duas pessoas acaba.

   Por mim, todas as coisas seriam infinitas.

Não leve a mal.

"Ando meio desligado
Eu nem sinto meus pés no chão"
A grande verdade de toda a minha vida. Me distraio fácil, ainda mais quando alguém rouba a minha atenção e a minha mente. Nunca foi muito difícil fazer isso, de qualquer forma...
"Olho e não vejo nada
Eu só penso se você me quer"
Eu não sou idiota a ponto de fazer uma piadinha com a minha miopia (juro que não sou). A parte do "só penso se você me quer" é aquilo que já falei de alguém tirar minha atenção. Se apaixonar, um tanto quanto platônicamente. Eu sempre fiquei pensando mais nisso do que em coisas mais importantes.
"Eu nem vejo a hora de lhe dizer
Aquilo tudo que eu decorei"
Sim, eu decoro coisas pra falar. Nunca fui bom no improviso, muito menos nessas horas. Ficava horas pensando nas coisas mirabolantes que iria dizer, sempre com palavras bonitas (pra mim, naquela época da "aurora da minha vida", a palavra "Sincero" era linda) pra impressionar cada vez mais. Deixei de ser tão "tolinho" com uns 14 anos.

"E depois o beijo que eu já sonhei
Você vai sentir, mas...
Por favor, não leve a mal"
Sonhar com o beijo... Era meu hobby, principalmente durante as aulas de geografia. Sonhava em levar a garota pra praia, e depois ajoelhar e declarar um amor que faria até mesmo Hades soltar um "oowwwnn" bem grande. Era tudo tão Hollywoodiano que hoje rio de pensar essas coisas, mesmo que ainda pense.

"Eu só quero que você me queira
Não leve a mal"

Distante Mulher

Lábios!
Lábios que levam aos céus
Lábios que queimam os véus
Lábios que descrevem o delírio dos homens;

Lábios!
Lábios que distraem os olhos
Lábios que na alma formam refolhos
Lábios que, iguais, só tu tens;

Lábios!
Lábios que despertam a vontade da alma
Lábios que, só de olhar, já me trazem inigualável calma
Lábios que de vez em quando parecem que jamais serão meus;

Desabafo VII

   É meio patológico essas coisas de gostar de alguém, estar com alguém, amar alguém... Se você parar pra analisar, tem muito a ver com doenças sim. É algo que mexe intimamente com nosso sistema nervoso central, alterando nossas percepções, nossas reações às coisas. É interessante perceber essas coisas... A imagem não sai da sua cabeça, o sorriso ao ver ela é natural e involuntário...

   Esses dias eu me senti meio nostálgico. Eu tava me lembrando do inicio do ano, que eu ia pra casa da minha amiga... a gente ficava abraçado, vendo TV. Era um sentimento muito bom, sabe... algo que eu as vezes sinto falta. Carinho é uma coisa que eu sempre tive, e quando fico sem me da saudade... é bem ruim isso.

   Mas sei lá, acho que não é nada insuportável... Convivo com essa falta já tem um tempinho... não é como se fosse algo cuja minha vida dependesse... Enfim, só queria partilhar essa idéia mesmo. 

   

Ladrão de Sonhos

   Noites tão escuras quanto tua mente, eu entro e consigo pressentir tudo que pensas enquanto se faz de morta na cama. As imagens que dançam são todas cheias de tristeza e loucura, e nada que você dizia nesse pensamento perdido fazia sentido. Era como se ninguém te entendesse, e todos ignoravam você. Olhavam e pensavam: "O que esse estorvo quer?". Choravas e soluçavas. Dava pena e ver, mas continuei assistindo.

   Depois de muito andar, finalmente acordaste e eu fui expulso de tua mente. Acordaste chorando e com medo de que ninguém ouvisse o que dizes. Eu observava suas incrível performance, tal qual uma atriz. Era lindo a forma natural que as lágrimas caíam, e como o corpo tremia.

   Visitarei-te outras vezes mais, apenas para ouvir esses soluços que me dão tanto prazer e ver esse choro que desenha o sorriso em meu rosto mais uma vez. E espero que eu seu próximo sonho todos ouçam o "Mas eu amo tanto vocês!" que tanto berravas.

Universidade Federal do Rio de Janeiro

   Ontem eu resolvi ir mais cedo pra Faculdade. Sentado no banco do ônibus, a Avenida Brasil ainda era iluminada pelos postes elétricos e pelos faróis dos carros e as pessoas pareciam ainda não ter acordado completamente. Nem mesmo as que estavam de pé.

   Estranhamente, eu estava desperto e sem um pingo de sono. e, mais estranho do que minha falta de sono era o sorriso leve do meu rosto e minha respiração tranquila. Tudo isso às quatro e cinqüenta da manhã. Eu via as passarelas da avenida passando, o número delas ficando cada vez mais perto da doze, que é onde eu desço. E o dia ainda tão escuro quanto a noite.

   Quando desci do ônibus, peguei o segundo que me deixa na frente do meu prédio. na primeira curva que ele fez, eu consegui ver um lindo nascer do Sol. Falam muito do pôr do Sol, alguns loucos até o aplaudem, mas sempre achei o nascer dele muito mais bonito. É como se alguém tivesse cortado o céu com uma espada, e só ficaram enormes rastros laranjas, com algumas pinceladas purpúreas. Meus olhos ficaram congelados, olhando para aquele paraíso de cores até o ônibus virar de novo e tirar a perfeição do meu campo de visão.

   Cheguei até cedo demais. Eram dez para as seis da manhã e eu estava sentado na escada do prédio. Minhas únicas companhias eram um cão e três libélulas. Dava pra ver o Nascer do Sol, então eu não me preocupei em ter chegado muito cedo. Só fiquei lá sentado, admirando. 

   Já é a segunda vez que eu vejo o nascer do Sol na faculdade. A primeira vez foi no primeiro dia que eu fui pra lá sozinho. Me sentia bem lá. Eu sinto o ar mudar quanto entro nos domínios da universidade. É mais leve, carrega sorrisos e preocupações vãs que somem tão rápido que nem lembro de todas. É uma sensação que não sentia desde que saí do Colégio Pedro II. Eu via o nascer do Sol quando ia para lá também, e foi a primeira vez que eu tive mais de três minutos pra admirar.

   Saudades. Muitas saudades do meu Colégio. Mas acho que a minha Faculdade me ajuda a suprir isso.

Vermelho

Eu sou o lorde de teu prazer;
Eu sou a ganância em teus olhos;
Eu sou a desconfiança de teu amante;

     Poderia, por vezes, simplesmente te dizer o que eu sinto cada vez que fito teu corpo formoso me convidando ao pecado, e poderia também apenas agir, sem nem uma palavra a mais. Não os faço, ora por medo, ora por achar que és demais para mim. Mas se eu pensar não só eu teu desejo, mas no meu também, é questão de tempo para que nossos lábios se toquem, para que nossos corpos dancem juntos, e para que uma chama vermelha se acenda entre nós por breves minutos. Minutos onde somos apaixonados um pelo outro, e jamais conseguiríamos viver sem o outro, mas apenas por breves minutos. Pois não és a unica a despertar esta chama em minha mente. E eu não sou teu, nem dela, nem de ninguém. Eu sou do fogo. Da paixão. Do poder. Daquela que conseguir me seduzir por minutos menos breves.

Eu sou aquele que faz tuas noites tão claras quanto o dia;
Eu sou aquele que faz teus dias tão divertidos quanto a noite;

Eu sou o que quiser que eu seja, mas quando eu quiser ser;

Três Nove Sete

Muitos prédios
Muitas casas velhas
Pessoas, muitas pessoas
Cimento, asfalto e carne
Céu nublado por pensamentos oblíquos
Musica ligada no ouvido
Mais pessoas
Menos espaço
Barulhos irritantes
Vento no rosto
Sono
Cochilo
Sensação estranha na boca
Coceira nos olhos
Muito mais gente
Tempo que nunca passa
Menos gente
Mais espaço
Duas horas se passaram

E tudo aquilo que me faço indiferente

O Maior Amor

   Os dias passam, mas sinceramente, isso não faz diferença. Poderia ser três horas da tarde por três dias seguidos que eu estaria aqui, sem perceber o tempo não passar por meu rosto. Tem algo esquisito no ar, que não me deixa perceber as coisas mudando. Mesmo que essa mudança seja em mim.

   Eu mudei. As pessoas mudam, oras. Mas eu estou me estranhando. Eu não sou quem eu conheci a alguns poucos anos atrás. Eu sou um cara estranho, despreocupado e relativamente feliz. Quando eu me conheci, eu era mais preocupado com as coisas e com as pessoas. Eu era mais normal, não tão fora do padrão. Eu continuava feliz, mas era um pouco mais baixo e minha voz não era tão grave.

   Tenho rugas e cabelos brancos, mas nem passei dos vinte. Reclamo das coisas que nem me preocupar de verdade me preocupam. Reclamo só pelo direito que tenho de fazer isso. Parei de me importar se meus textos estão com um português corretíssimo, ou se meus poemas tem um tom mais barroco. Que se dane.

   Meus óculos estão sempre sujos. Meus olhos estão sempre vendo sujeira mesmo, pra que limpar? Minhas camisas estão sempre um pouquinho amassadas, algumas mais largas, outras mais justas. Minhas calças, todas elas, tem um pequeno rasgo, alguma imperfeição. Minha meia predileta tem um enorme rasgo no pé direito e meu casaco cheira a laboratório. Meu boot está constantemente cheio de lama. Amo todas as minhas roupas, e não as trocaria por nada.

   A mesa do meu computador tem tantas coisas que eu deveria fazer uma série de textos pra descrever a importância deles pra mim. Uma foto dos meus amigos, uma ocarina e uma lavalamp. Dois carrinhos e um envelope de remédio pra dor de cabeça. carregadores de pilhas e uma agenda da faculdade. Um porta canetas, um porta CDs e os emblemas do Pedro II. Tantas coisas que me orgulho de ter que não se imagina.

   O porque desse texto tão estranho e diferente? Pelo mesmo motivo de eu ser tão estranho e diferente: Porque eu quero. E eu gosto. E eu amo ser assim. Eu me amo, é por isso.

Nem sempre calmo, mas nunca preocupado.

   Tem sido meu lema. Não me preocupar com as coisas, não me importar com os defeitos, nem com os meus nem com os alheios. Apenas viver, e ver. Ver no que vai dar, o que vai acontecer.

   Tenho buscado inspiração nas coisas cada vez mais simples, tenho visto as coisas com olhos cada vez menos críticos, parado de me importar tanto com o rancor que guardei, com a raiva que senti. Praticamente, estou no processo de substituir os meus sentimentos negativos por indiferença. Acho que viver fica mais fácil quando simplesmente ignoramos essas coisas dignas do nosso total desprezo.

   Não é fácil... Eu meio que me acostumei a nutrir esses sentimentos negativos pelas coisas que não me agradam. Mas não é impossível. Na verdade, é bem mais fácil do que esperava, embora não seja a coisa mais tranquila de se fazer. Mas é até interessante observar como as coisas andam quando simplesmente relaxamos. Quando deixamos as preocupações de lado e vivemos. Quando deixamos as coisas acontecerem, mesmo que mais à frente visemos a derrota, o fracasso ou a vitória "meia-boca" que não desejamos. Deixa viver, só acontecem coisas boas quando a gente relaxa.

   Relaxar, sentir o vento passando, deixar o atraso e o compromisso um pouco de lado, só pra sentir o silêncio, a calmaria... Tudo que uma pessoa com tantos cabelos grisalhos poderia querer. É a sensação que eu busquei por tanto tempo, e que finalmente achei na minha forma de viver mais despreocupada com os sentimentos, tanto os meus quanto os dos outros. Fica tudo mais fácil quando deixamos nossas vidas sendo nossas e apenas ligando pra elas, sem se importar se isso machuca ou não o próximo.

   Nem sempre calmo, mas nunca preocupado.

Negativa

Não, não me levantarei.
Permanecerei aqui, deitado, de olhos fechados;

Não, não serei a hiena.
Não rio das mortes, apenas as desprezo;

Não, não me tornarei eternamente responsável pelo que cativei.
Já não me faz diferença, de qualquer forma;

Não, não estarei lá pra te segurar.
Não estarei em lugar algum, principalmente se você estiver lá;

Não, não vou olhar nos teus olhos e contar mentiras.
Seria melhor nunca mais fitar-te;

Não, não quero. Não quero.
Jamais irei querer. Nem sentir, nem ouvir.

Não, esqueça. E não esqueça de esquecer;

Primeira Carta

Caríssimo Corpo

   Como tem passado? Muito tempo que não nos encontramos. Desde nosso ultimo encontro, tantas coisas mudaram na minha vida que um papiro como esse seria pequeno demais pra contar. Tentarei, assim mesmo... De tudo, o mais importante é que finalmente achei um lugar pra ficar. É diferente de todos os lugares que já estive, mas é estranhamente confortável, apesar de pensar em ir embora de vez em quando... Mas é só eu me recostar perto da lareira que esse pensamento me foge... Todas as outras coisas que mudaram em minha vida são de uma natureza inexplicável. Uma delas é que me sinto leve e liberto. Liberto de tantas correntes e de tantas amarras, como costumava ser o passado. Não tenho feridas (elas ficaram com você, perdão), mas as lembranças doem mais, acredite. 

    Nosso separo me foi difícil em um primeiro momento. Não se acreditava que era possível que eu fosse feliz longe de ti, e realmente tem sido difícil. Mas não impossível. Espero que fiques feliz em saber que consegui me libertar de você. Desejavas tanto isso... Um pouco de esforço maior de minha parte e finalmente podemos seguir caminhos diferentes.

    De resto, O que não é novo continua simplesmente velho. As coisas não mudam muito, ainda mais se não há nada pra envelhecer. Ainda posso aprender muitas coisas e sinto que agora posso ir mais além. Além de tantas barreiras. Mas devo admitir que sinto falta do teu aconchego, meu corpo... Não é impossível me livrar de você, mas é difícil, ainda assim. Mas a morte falou mais alto, eu acho, não?

    Bem, sigamos nossas vidas (pelo menos eu...) e que tenhas um bom descanso. Apesar de utópico, espero que nos encontremos um dia.

  Com carinho, Alma;
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